Catástrofes – Como ajudar?

Primum non nocere!

Esta é uma máxima na medicina: Primeiro não provocar dano!

Desde o meu primeiro ano na faculdade meditamos enfaticamente sobre isto nas aulas, congressos, discussões com os colegas e nas leituras.

Trata-se de um exercício constante, para o resto da vida.

Mas como é difícil discernir se estamos ajudando ou atrapalhando… Percebo esta mesma dificuldade nas diversas dimensões da vida. (Veja também como ensinar tolerância às frustrações aos seus filhos).

Acho que temos a obrigação como cidadãos e seres humanos de nos informar bem sobre as coisas, sobre aquilo que fazemos. Devemos estudar muito, e em fontes seguras! Estar bem informados, atualizados, ter curiosidade e abertura sincera, reconhecer nossos erros e tentar melhorar, desenvolver flexibilidade, ser humildes e deixar de lado a arrogância.

Numa situação que estamos diante de uma pessoa que passa por um grande sofrimento, há um ímpeto natural em ajudar. Isto faz parte da natureza humana. Mas nesta tentativa de sermos solidários (gesto compassivo) ou bancar o herói (gesto egoísta), temos feito muita coisa errada e provavelmente continuamos fazendo, geralmente sem saber.

Quero apresentar aqui algumas diretrizes retiradas de estudos confiáveis – Como este artigo é um texto de blog, ficarei a vontade para não citar as fontes, terão que confiar em mim ou ir atrás e pesquisar. (Rs)

As informações fazem parte de um conjunto de intervenções que foram estudadas e se mostraram eficazes. Comentarei também, aquelas intervenções que foram ineficazes e prejudiciais. Tudo isto, considerando a exposição a situações altamente estressante.

Sabemos que a maioria das pessoas que vivenciam um grave estresse não irão desenvolver Doença Psiquiátrica. Então a primeira dica é não ficar problematizando a coisa! Não coloque de forma precipitada a pessoa na condição de doente. É natural que ela fique por um determinado tempo assustada e com limitações.

O suporte Psicológico também deve ser comedido. Jamais fique forçando a pessoa a falar detalhadamente do problema. Demonstre sua solidariedade, ofereça a sua presença e fique junto, esteja disposto a atender as necessidades DA PESSOA! Respeite a forma dela em expressar os próprios sentimentos.

Ofereça um bom suporte social, um local protegido para ficar, um ambiente seguro, comida, cobertor, cuidados de higiene, carinho e gentileza.

JAMAIS OFEREÇA CALMANTES!

Medicar é algo muito difícil, principalmente para nós Médicos!

Se você é daqueles(as) que sai por aí, nos velórios, com um frasco de benzodiazepínico na bolsa, distribuindo gotinhas aos sofredores, saiba que provavelmente está prejudicando muita gente! Estes ansiolíticos mostraram que aumentam o risco para o desenvolvimento de TEPT (Transtorno de Estresse Pós Traumático – A antiga Neurose de Guerra!). Os diazepínicos prejudicam a memória operacional, mas aumentam a consolidação da memória afetiva. Então, jamais dê medicação a uma pessoa, sem estar muito bem preparado para isto!

Se a pessoa passou por um estresse muito grande de forma individual (estupro, arma na cabeça), existe uma chance maior de desenvolver TEPT, mas ainda continua sendo uma minoria. Sabemos que uma ameaça direta com uma arma, por exemplo, tem maior risco no desenvolvimento de doença, do que presenciar um tiroteio (ameaça coletiva). Outro ponto de alerta é se existirem elementos que favorecem o desenvolvimento de TEPT, ou seja, fatores de risco individuais. Para identificar estes fatores, precisaremos da avaliação de um bom profissional, Psicólogo ou Psiquiatra. É esperado que depois do evento traumático a vítima fique assustada, apresente sintomas de ansiedade, pavor e limitação funcional, mas isto tende a melhorar com o tempo. A persistência destes sintomas também apontam para um maior risco de TEPT.

O TEPT é uma das poucas situações em Psiquiatria que podemos atuar de forma claramente efetiva para prevenir o desenvolvimento da Doença Mental.

Quero aproveitar que estou falando de acidentes, violência e eventos catastróficos para fazer um manifesto. Acho que muitos de vocês concordarão comigo:

“Jamais compartilhe fotos e vídeos de pessoas acidentadas. Respeite a pessoa e os familiares dela. Se você eventualmente receber alguma imagem deste tipo, não repasse isto adiante e dê uma boa bronca naquele que lhe enviou.”

Em suma, a grande dica que posso oferecer a vocês é esta: Primum non nocere.

Para isto, lembre-se dos “3P”:

  1. Patologia-não = Não colocar doença aonde não existe = Problematização excessiva!
  2. Psicologia-não = Não tente bancar o Psicólogo. Não abuse de técnicas de Psicologia mesmo se você tiver este conhecimento. Jamais use debriefing (forçar a pessoa a falar sobre o ocorrido).
  3. Pharmacologia-não = Não use medicações de forma abusiva ou sem uma correta orientação técnica. Jamais ofereça calmantes.

Na dúvida não faça nada, fique calado, evite falatórios. Acredite, uma presença silenciosa é confortante.

Se você é daqueles que não consegue ficar sem se manifestar de alguma forma, e quiser mesmo fazer algo para ajudar, ofereça conforto, proteção, afago e generosidade.

 

Dica espiritual: Desista de postar sua boa ação nas redes sociais!

 

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FORTEMENTE

About Bruno Caetano

Dr Bruno Caetano Vieira - CRMMG: 35209 - Graduado em Medicina pela UFU - Residência Médica em Psiquiatria pela UFU - Membro Titular da ABP - Terapeuta Cognitivo-comportamental - Instrutor de Meditação.

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