Está estressado? Adaptógeno!

“Nossa! Tô estressado hoje!”

 

Quantas vezes você ouviu alguém falar isso hoje? Pelo menos uma vez, tenho certeza. Estresse é um termo científico que já foi incorporado à nossa linguagem cotidiana e usamos com muita liberalidade. Mas não é possível censurar ninguém pelo uso do termo. A Organização Mundial da Saúde considera que o estresse é a grande pandemia do século 21. Na Europa mais de 20% dos trabalhadores sofre com sintomas de estresse e 60% dos dias de trabalho perdidos tem relação com ele. Quando não tratado aumenta a ocorrência de doenças graves e morte. Temos mesmo razão para nos preocupar com ele.

O estresse, uma resposta de adaptação dos organismos vivos a situações de pressão e ameaça, foi descrito pela primeira vez em 1936 por Hans Selye com o nome de síndrome de adaptação geral. Essa síndrome tem três fases. Quando estamos sob perigo nosso corpo perde seu equilíbrio metabólico (a homeostase) e começa um processo de resposta aguda, a fase de alarme, com a liberação de vários hormônios, neurotransmissores e fatores inflamatórios. Quando o organismo volta a conseguir um equilíbrio, o que é chamado alostase, inicia-se a fase de resistência. Se a ameaça persiste por muito tempo ocorre a fase três que é a exaustão. O estresse é tão prejudicial que mesmo enquanto estamos na fase de resistência os mecanismos de adaptação podem danificar nosso organismo e dar origem a doenças. Isso é chamado de sobrecarga alostática.

O estresse é responsável por diversos sintomas: cansaço, fadiga, sintomas depressivos, aumento da glicemia e da pressão arterial, dor de cabeça, problemas intestinais e sexuais, tensão muscular e muitos outros problemas crônicos. Tudo isso é efeito dos hormônios liberados pela resposta de estresse crônico como o cortisol. Ele ativa sistemas de sinalização celular como JNK e SAPK que inibem os receptores do cortisol no cérebro fazendo com que o mecanismo de regulação da sua liberação não funcione adequadamente resultando em um nível constantemente elevado. Além disso ocorre uma alteração da produção de energia da celular e inflamação.

As ameaças estão em todos os lugares. Não é possível fugir delas. Correr riscos é parte da vida então temos que cuidar de nós. A natureza oferece algumas soluções. Algumas plantas possuem substâncias capazes de melhorar nossa respostas ao estresse. Essas plantas são chamadas de adaptógenos por que auxiliam no processo de adaptação ao estresse, mantendo a alostase.

Os adaptógenos começaram a ser pesquisados em 1947 por Lazarev mas um grande volume de pesquisa ocorreu na década de 1960 na URSS. Vários extratos vegetais foram investigados e diversos mostraram melhorar a resposta geral de adaptação ao estresse de forma inespecífica melhorando sintomas de exaustão física e mental. Regulam fatores de transcrição gênica e vias de sinalização celular importantes no estresse como a expressão de proteínas de choque térmico, as chaperonas, que protegem a célula de dano. Alguns dos adaptógenos mais pesquisados são o Eleutherococcus senticosus (Ginseng siberiano), Panax ginseng (Ginseng) e a Rhodiola rósea. Entre eles a Rhodiola róseaé uma das mais pesquisadas e parece conseguir melhorar sintomas de fadiga, ansidade e exaustão normalizando os hormônios do estresse e aumentando a produção de energia pela mitocôndria. Apesar de já terem sido publicados muitos estudos clínicos com o uso dessa planta muitos deles tem problemas metodológicos não sendo possível ainda afirmar com certeza que ela é mesmo eficaz. Mas é um adaptógeno promissor e merece ser melhor investigado, como indica uma revisão sistemática publicada em 2012 por Ishaque e colegas.

Como o estresse é muito prevalente na população e causa tantos dados, os adaptógenos podem surgir como uma resposta a um grande problema: a ausência de intervenções medicamentosas naquelas fases anteriores ao adoecimento. A natureza é mestra na arte de se adaptar. Ela pode ter as soluções para um dos problemas mais sérios da saúde moderna, a adaptação inadequada ao estresse.

Então fica a dica: Está estressado? Adaptógeno! Relaxamento, meditação, encontrar os amigos, ir pescar…

 

About Luiz Carlos

Luiz Carlos é médico psiquiatra, PhD em Ciências da Saúde e professor na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Uberlândia. Coordena a Liga Acadêmica de Inovação em Saúde e o ambulatório de Psicogeriatria da Residência Médica de Psiquiatria da UFU. Também é pesquisador na áreas de genética psiquiátrica e do comportamento no Laboratório de Genética da UFU. Além disso estuda terapia de aceitação e compromisso, metodologias de ensino multimídia e inovação em saúde, psicologia positiva. Membro da Associação Brasileira de Psiquiatria e da Association for Contextual Behavioral Science. Sócio da Associação Brasileira de Nutrologia.

14 thoughts on “Está estressado? Adaptógeno!

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