Musicofilia – A música e o cérebro

Todo fã sabe o poder que música pode exercer sobre nossos pensamentos e emoções.

Uma música boa pode transformar momentos ordinários em algo mágico. Pode aumentar sensações, consolar ou aprofundar a dor e muito mais. Do nosso código genético ao funcionamento do nosso corpo e como nos relacionamos em grupo, música tem efeitos surpreendentes.

Na nossa proposta de ser uma clínica de bem estar mental, a Pleni quer trazer um pouco de músicas pros nossos POSTs. Em alguns deles vamos trazer um pouco de neurociência da música. Em outros vamos só relaxar e curtir uma música legal juntos. Esses posts estarão sempre indicados com a palavra MUSICOFILIA (Paixão pela música). Vamos lá?

Música e evolução

Música é algo interessante na raça humana tanto pela sua ubiquidade quanto pela antiguidade. Nenhuma cultura de agora ou do passado conhecível privou-se de música. Alguns dos objetos mais antigos encontrados em escavações foram instrumentos musicais. Em qualquer lugar que humanos se encontrem lá a música estará: de casamentos a funerais, das marchas militares às carreatas de paz, das mães cantando para os filhos dormirem aos domingos em que uma música empolgante nos tira da cama.

Nossa cultura pode até fazer uma linha demarcatória entre aqueles que produzem música comercial – os chamados artistas e nós, meros mortais. Mas a música está marcadamente em nossas vidas (principalmente nos nossos chuveiros, pelo menos). A indústria da música faz milhões em performances incríveis, mas o gostinho de cantar entre amigos ainda guarda um sabor diferente.

De acordo com a teoria da evolução, nossos traços físicos, cerebrais e de personalidade foram cuidadosamente selecionados pela sobrevivência e adaptação. Isso quer dizer que se a música está presente em todos nós ela apresentou alguma vantagem evolutiva ao longo da nossa evolução – ainda bem!

Qual função a música exerceu à uma humanidade em desenvolvimento? Será que os dias dos nossos antepassados já eram chatos demais para serem vividos sem música? Quais os circuitos neuronais vinculados à expressão da música?

Hemisfério direito x hemisfério esquerdo

Apesar da noção simplória que a música é processada no hemisfério direito e matemática e linguagem do lado esquerdo, a verdade é que ao curtir uma melodia usamos todo o nosso cérebro.  Escutar, desenvolver ou compor música envolve praticamente todas as áreas cerebrais já conhecidas. Talvez por isso que músicos apresentem corpo caloso (uma estrutura cerebral que liga os dois hemisférios) tão desenvolvidos.

Entender de música é entender dos nossos sentimentos mais profundos: é entender melhor nossos motivo, medos, desejos e memórias, e até mesmo de comunicação. Escutar música é tipo a necessidade que temos de comer como estamos com fome? Ou parece mais com o que sentimos ao observar um pôr do sol ou relaxar na banheira, ativando áreas relacionadas ao prazer cerebral? Porque as pessoas ficam menos musicalmente flexíveis ao envelhecer? Existem alucinações musicais? Como grandes gênios da música compunham mesmo surdos?

Embarque em uma história de como nossos cérebros e música evoluíram juntos. Sobre o que a música pode nos dizer sobre o cérebro, o que o cérebro pode nos ensinar sobre música, e sobre o que ambos podem nos ensinar sobre nós mesmos.

About Rodrigo Scalia

Formado em medicina pela Universidade Federal de Uberlândia. Residência em psiquiatria pela Universidade Federal de Uberlandia, mestrando do Programa de ciências da saúde da Universidade Federal de Uberlândia. Pós graduação em Terapia de familia e casal pelo Instituto de terapia familiar do triângulo