Videogame!

Assunto polêmico entre as novas e velhas gerações, os jogos eletrônicos já foram exaltados e condenados por diversas vezes. E quando surge uma nova notícia de violência cometida por parte de crianças a adolescentes, é comum que no meio das conversas sobre o ocorrido alguém resolva culpar o famoso “videogame violento”.

Vamos começar desfazendo esse mito: a culpa não é do videogame, ou não é SÓ dele. É de algo que o precede. Os estudos científicos sobre o assunto até agora mostraram que ele pode aumentar a irritabilidade e reduzir a empatia, mas não conseguiram provar uma relação de causa e consequência direta entre ele e as atitudes violentas por parte das crianças. Eles mostram que relacionamentos familiares e sociais negativos, tendência genéticas e o uso de substâncias químicas, são muito mais importantes para a redução da empatia e predisposição dos jovens a agirem de maneira violenta do que os jogos.

Outro mito que confunde a cabeça dos pais é de que videogame é coisa de criança. Pode ser que na década de 80 ele fosse visto como um produto exclusivo para o público infanto-juvenil… Mas não é! Hoje existe todo um esforço da indústria para produzir jogos para adultos (porque eles vendem muito!) e a publicidade em torno deles acaba por despertar o interesse dos jovens. Alguns dos jogos mais procurados por crianças e adolescentes só são permitidos para maiores de 18 anos… ou seja, contêm conteúdo inadequado e prejudicial para os menores.

Então, como fazer para que seu filho possa desfrutar dessa diversão sem que ela ofereça prejuízo ao desenvolvimento dele?

1 – Veja a classificação de idade. Obrigatoriamente todos os jogos devem apresentar uma classificação indicativa da idade mínima do consumidor, como acontece com os filmes e programas de TV. Respeitando a classificação, a chance de seu filho consumir um jogo inadequado é menor.

2 – Saiba do que se trata o tema e os desafios do jogo. Mesmo sendo um jogo adequado para a idade, pode ser que não seja adequado para o seu filho pois não condiz com os valores que você escolheu para sua família. Então busque saber antes (o Google ajuda muito nessa hora) quais são os personagens, o mundo onde eles vivem e qual é o objetivo deles no jogo.

3 – Escolha jogos do interesse dele. Não adianta gastar dinheiro e tempo comprando um jogo que ficará abandonado em pouco tempo.

4 – Estabeleça horários e dias permitidos para jogar. O jogo não deve atrapalhar os horários de estudo, descanso, atividades físicas e convivência familiar. Ele é só mais um item do universo das crianças a adolescentes, mas não substitui nenhuma das outras atividades.

5 – Converse com seu filho sobre o tema do jogo. É um exercício interessante e que aproxima pais e filhos. Saiba o que ele pensa, do que ele gosta e, se possível…

6 – Jogue com ele! Essa pode ser a parte mais divertida. Porém não se esqueça de que o adulto é você e é seu dever mostrar ao seu filho como lidar com os desafios e derrotas do jogo sem perder o autocontrole.

About Lívia Araujo

Lívia Araújo é médica psiquiatra, formada em Medicina pela Universidade Federal do Mato Grosso e membro titular da Associação Brasileira de Psiquiatria. É parte da equipe Pleni e também do Serviço Especializado em Desenvolvimento e Aprendizagem - PMU/UFU.

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