Café: tomar ou não tomar, eis a questão!

 

Você chega em um lugar e sente aquele cheiro conhecido, o cheiro de café. Automaticamente você se sente confortável, como se tivesse em casa. Isso acontece por causa da nossa memória olfativa que associa cheiros a lembranças. E quem não tem lembranças boas com café? Da casa de nossas mães, tias e avós?

O café está associado às nossas lembranças, às nossas vidas. É a bebida com cafeína mais consumida no mundo. Seu ramo está no brasão da República Federativa do Brasil, junto com o ramo do fumo, para marcar seu grande papel na economia  e história brasileira. No Brasil crescemos e morremos tomando café. A primeira refeição do dia, que na língua inglesa se chama breakfast e em Portugual de “pequeno almoço”, aqui chamamos de “café da manhã”. Após o almoço, depois até da sobremesa, o encerramento de tudo é o cafezinho. Esse mesmo que é obrigatório servir para as visitas que chegam em casa e nas reuniões de negócio. Café que nos mantem acordados nas noites de estudo. Rico em cafeína, talvez a molécula responsável pelos maiores avanços científicos da humanidade por manter os cientistas acordados em seus laboratórios.

Mas o que esse mesma ciência diz sobre o café? Fazemos mal ou bem a nossa saúde quando usamos? Por anos ouvimos que café trazia prejuízo para a saúde. Até hoje algumas pessoas na mídia dizem isso. Mas a ciência não concorda. O café, conforme várias pesquisas, parece ser uma importante aliado para a prevenção de doenças.

Um grande estudo seguindo mais de 40 mil pessoas por 16 anos publicado recentemente na revista Annals of Internal Medicine mostrou que o consumo de café está ligado a redução de mortalidade por várias causas. Uma revisão sistemática reunindo várias pesquisas chegou à conclusão que o consumo de café controla os níveis de ácido úrico que está relacionado com hipertensão e outras doenças crônicas 1. E se você anda preocupado com perda de memória e Alzheimer as noticias também são boas. Vários estudos mostram que o consumo de café, em torno de 1 a 2 xícaras por dia, reduz o risco desses problemas 2. Outros pesquisadores mostram também uma redução do risco de Diabetes e Hipertensão 3.

Todos esses efeitos benéficos do café estão relacionados a uma complexa mistura de substâncias. Você passou a vida inteira associando a palavra café com cafeína mas essa xícara tem muito mais: acido clorogênico, cafestol e kahweol, entre outros polifenóis com ação antinflamatória e sobre radicais livres 4. Seu cafezinho tem muito poder!

 

  1. Park, K. Y. et al. Effects of coffee consumption on serum uric acid: systematic review and meta-analysis. Semin. Arthritis Rheum. 45, 580–586 (2016).
  2. Wu, L., Sun, D. & He, Y. Coffee intake and the incident risk of cognitive disorders: A dose–response meta-analysis of nine prospective cohort studies. Clin. Nutr. 36, 730–736 (2017).
  3. Buscemi, S. et al. Coffee and metabolic impairment: An updated review of epidemiological studies. NFS J. 3, 1–7 (2016).
  4. Bae, J.-H., Park, J.-H., Im, S.-S. & Song, D.-K. Coffee and health. Integr. Med. Res. 3, 189–191 (2014).

 

 

 

Luiz Carlos

About Luiz Carlos

Luiz Carlos é médico psiquiatra, PhD em Ciências da Saúde e professor na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Uberlândia. Coordena a Liga Acadêmica de Inovação em Saúde e o ambulatório de Psicogeriatria da Residência Médica de Psiquiatria da UFU. Também é pesquisador na áreas de genética psiquiátrica e do comportamento no Laboratório de Genética da UFU. Além disso estuda terapia de aceitação e compromisso, metodologias de ensino multimídia e inovação em saúde, psicologia positiva. Membro da Associação Brasileira de Psiquiatria e da Association for Contextual Behavioral Science. Sócio da Associação Brasileira de Nutrologia.

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